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Redes sociais e as consequências do que digitamos

Gabriel Caetano
Escrito por Gabriel Caetano em abril 2, 2019
Redes sociais e as consequências do que digitamos

Bom dia, boa tarde, boa noite, arroba. Tudo bem com você? Por menos por aqui, é uma bonita manhã de domingo. Espero que assim esteja por aí também!

Existe uma velha máxima na comunicação – “Sou responsável pelo que digo, não pelo que você entende”. Também há um outro provérbio que diz o seguinte: três coisas na vida nunca voltam atrás – a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. É sobre a responsabilidade com o que dizemos e escrevemos que gostaria de conversar com você hoje.

Na última terça-feira, aconteceu um caso no Twitter que tomou conta de todas as minhas linhas de tempo, que são recheadas de jornalistas e outros profissionais que de alguma maneira, também trabalham com redes sociais. O Mauro Cezar Pereira, comentarista esportivo dos canais ESPN, teceu um simples comentário em seu perfil a respeito do Flamengo x Madureira que aconteceu neste dia, pelo Campeonato Carioca. Normal, exercício comum da sua profissão. Logo, foi acossado por um torcedor e isso gerou uma reação inesperada, que partiu do próprio Mauro. Segue a sequência de registros do microblogging:

Isso mesmo, a pessoa perdeu o emprego em função da incivilidade de suas palavras. No dia seguinte, o jornalista até tentou fazer algo por Reginaldo. Buscou contato com a empresa e pediu que reconsiderassem o desligamento em questão. Não colou. A Arcelor Mittal informou que não costuma expor esse tipo de caso, e que a decisão não havia sido tomada em decorrência dessa situação isolada.

Mauro Cezar agiu de maneira desproporcional? Talvez. O torcedor colheu o que plantou? Sim. Fica a lição para nós. Especialmente para quem acha que pode tudo na Internet. O jornalista Rodrigo Capelo ainda visitou o perfil da pessoa coletou outros tweets – pelo que parece, não se tratou de uma conduta única, aqui está o remix de ofensas proferidas por Reginaldo em seu Twitter.

Agora, vamos esquecer o juízo sobre esse caso e pensar agora no que acontece em ambientes virtuais todos os dias. Esse tipo de agressão verbal categórica não foi uma exceção. Aproveitando que não faz muito tempo que passamos pelo Dia Internacional da Mulher, gostaria de relembrar uma promoção realizada pelo setor de esportes da Rede Globo.

Aqui.

Viu o vídeo? Ele dói.

Posto isso, me responde aqui rapidinho… Quantas vezes você vê esse tipo de comportamento sendo transmitido e endossado por aí? As redes sociais não podem ser terra sem lei. Geralmente, isso parte de assuntos que mexem com nossas paixões e crenças, futebol ou política, por exemplo. Taí, a desculpa para justificar o comportamento irracional. No caso de Reginaldo, ele se apresenta como um pai de família. Bem, um pai de família precisa se comportar como tal. Não existe um universo paralelo onde é permitido ofender pessoas sem esperar qualquer consequência.

Depois, as redes sociais são o meu trabalho, e para muitos outros profissionais acabam sendo também uma extensão de seu ofício. Pois bem, não consigo imaginar um estranho chegando em meu escritório aleatoriamente e me enchendo de palavrões do nada por algo que disse ou tenha feito. Não é possível que esse tipo de comportamento continue normalizado. Usar a internet para ofender qualquer pessoa é errado e isso continua acontecendo todos os dias no Twitter e no Facebook.

A demissão expõe um fato que preferimos ignorar: as pessoas desconhecem o verdadeiro poder das redes sociais. Acreditem, odeio escrever “verdadeiro poder” assim. É que se hoje usamos o Twitter como um espaço social, e pelo menos é mesmo para mim, também precisamos considerar que existem regras elementares de convivência que precisam ser colocadas em prática como alicerce civil. Parece confortável se aproveitar do falso anonimato e da distância oferecidas pelo ecrã de um dispositivo, mas pense comigo: a partir do momento que as redes sociais fazem parte de nosso cotidiano, elas não são mais um universo paralelo que distinguimos da vida real.

Você também é o que digita. Ou é gentil e racional, ou não é. É uma escolha e é simples assim.